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21 julho 2014

É

     Querem nos fazer crer que democracia é apenas apertar botãozinho a cada dois anos, e escolher entre seis e meia dúzia.
     Por isto, todos estes que dividem o poder estão juntos na campanha contra novas manifestações.
Também por isto as prisões.
     Há um ano atrás eles borraram as calças, agora semeiam o medo para que a gente não volte a mostrar a cara.
     Quem gosta de ser enganado, que acredite.
     Eu é que não fico "com a bunda exposta na janela pra passar a mão nela".

20 julho 2014

O príncipe

Ela o viu como quem vê o final do caminho do sonho.
Ele era lindo, perfumado, perfeito. Tudo nele emanava sedução.
Sabia se vestir, dançar, olhar.
O universo enfim conspirava a seu favor. E era lindo demais.
Se havia alguma dúvida para ela, ao vê-lo se dissipou no ar.
O príncipe era tudo. Era o mundo todo e um tanto mais.
Ela jogou-se sem medo e lhe deu o melhor de todos os beijos.
Bum!
Ele se transformou num sapo.
Acabou.

11 julho 2014

Neruda outra vez

Neste sábado, 14 de julho, um holograma de Pablo Neruda caminhará pelas ruas de Santiago do Chile.
Ele nasceu há 110 anos.
O fantasma de Neruda retornará para encontrar belezas onde ninguém mais vê coisa alguma?
O que pensará ele sobre o mundo, este mundo?
Chorará o sangue das crianças palestinas derramado pelas ruas?
Escreverá outros tantos poemas de amor e outra canção desesperada?
O grande poeta certamente se assustaria com este nosso tempo. Será mesmo, Elenilton? Não é de susto, medo e maravilhas todo o tempo percorrido?

Os ossos dos ditadores contaminam a terra, toda a terra.
As ondas continuam a bater nas pedras de Isla Negra.
E os amantes de todas as partes seguem insistindo, lutando.
Certamente não é o mundo dos sonhos de ninguém.
Mas as razões para seguir continuarão existindo. Nós as inventamos todos os dias.
Pablo Neruda está vivo em seus livros, em seu testemunho militante.
O mundo, injusto, segue em obras.


Na foto, Pablo Neruda brinca com um pássaro na casa de Jorge Amado.

30 junho 2014

Ausência temporária

Estou ausente daqui temporariamente,
pois ainda sem internet na nova casa.
Olhos e antenas seguem ligados.
Mas, pela velocidade da empresa Oi,
até o final desta década estará tudo resolvido...hehe!

13 junho 2014

Entrevista






Entrevista realizada pelo escritor Dilan Camargo, no programa Autores e Livros da TV Assembleia,
foi ao ar no dia 8 de junho de 2014.

10 junho 2014

Não teve Copa - Vladimir Safatle

A ideia parecia perfeita. Depois de 12 anos de continuidade com programas importantes de transferência de renda, que levaram 32 milhões de brasileiros à classe média, o Brasil estaria em condições de mostrar ao mundo sua nova imagem. Seria a consagração do país diante do cenário internacional.
Mostraríamos um Brasil alegre, orgulhoso de si mesmo, onde empreiteiras e trabalhadores cantam de mãos dadas o hino nacional e se veem como sócios em um novo e radiante momento de desenvolvimento. Publicitários estariam a postos para mobilizar afetos de superação entre um gole e outro de Coca-Cola. Só sorriso no ar.
Essa era a verdadeira função da Copa do Mundo: completar a narrativa política da transformação nacional apelando ao acolhimento do olhar estrangeiro.
Bem, o problema é que não teve Copa. Houve jogos, um campeão, estádios em Brasília, Cuiabá e Manaus, mas não houve Copa. Não apenas porque apareceu uma outra imagem do país: essa da nação que se estagnou em um ponto no qual o desenvolvimento não consegue se transformar mais em qualidade efetiva de vida. Ponto no qual operários são mortos em construção como algo que, nas palavras de Pelé, “é normal, pode acontecer”, quase como uma lei da natureza. Na verdade, não houve Copa do Mundo porque o povo brasileiro saiu do lugar.
Ele tinha um lugar previamente definido. Sua função era celebrar e aclamar. Com casas pintadas de verde e amarelo e, como se diz, com “alegria contagiante”, o povo brasileiro deveria abraçar seu novo lugar no mundo. Mas algo saiu definitivamente do lugar. O enorme aparato policial-militar montado para impedir que o povo saia da coreografia da felicidade imposta e a brutalidade governamental contra grevistas, como vemos mais uma vez em São Paulo, tudo está aí para não deixar negar. Não, o povo brasileiro não está feliz, pois se sente como alguém que teve sua paixão usada por outros.
Sinal dos tempos.
No chamado “país do futebol” pela primeira vez uma Copa do Mundo não trará dividendos políticos, mas mostrará uma população consciente da tentativa de espoliar seus sonhos. População cuja revolta pode explodir a qualquer momento, da forma mais inesperada possível, mesmo que seja governada por pessoas que nada mais tem a oferecer a não ser a polícia.
Algo mudou de maneira profunda, mas os publicitários, estrategistas e políticos não perceberam. Não há grande evento que consiga esconder o desencanto de um povo.
Por isso, nada mais honesto do que dizer: não teve Copa. E quem mais ganhou com isso foi o Brasil.


(Publicado na Folha de São Paulo, em 10 de junho de 2014)

05 junho 2014

Mídia e democracia

Esse papel que a RBS (afiliada da Globo no RS) faz de porta-voz de seus governos, é lamentável. 
Novamente estamos vendo isto na greve (dos municipários) em Porto Alegre.
Ruim para a democracia, para o jornalismo, para a sociedade em geral.
Não é ao acaso que existem tantas pessoas e movimentos que se voltam à esta empresa para criticá-la. 
E chegamos a um novo período de eleição onde ela tem (além do atual governador que coloca força policial exclusiva para defender a empresa), 
seus próprios candidatos ao governo e ao senado.
Esse acúmulo de poder não pode ser bom, pois se uma voz se amplifica ao extremo outras tantas silenciam.
Não vai haver democracia real enquanto houver monopólio da informação.
Mas já estamos furando o bloqueio, as coisas já estão acontecendo...