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19 março 2013

Uma singela sugestão


Minha singela sugestão:
Já que a única preocupação é com esta maldita Copa do Mundo, sugiro que os atuais governantes de Porto Alegre derrubem tudo que for necessário para fazê-la: árvores, vergonhas, avenidas, escrúpulos e tudo mais. Saqueiem à vontade.
Mas assim que acabar a Copa, no minuto seguinte, abandonem seus cargos e a cidade.
Levem junto esta multidão de "cargos de confiança", este bando de medíocres e cúmplices que não fazem muito mais do que engordar com os gordos salários.
Sobre o lixo que vocês deixarem poderemos então reconstruir outra cidade.



Não sentiremos saudade.






(Imagem: http://www.whoisnemos.com)

05 março 2013

A maior de todas as revoluções




Ana viu o futuro e ele era um jovem franzino que parecia fantasiado com seu minúsculo bigode.
Chegou-se de uma cidade distante. Era de um tempo em que se acreditava que o exército transformava um menino em um homem durante um ano de exercícios e humilhações constantes.
Então assim já homem feito foi logo combinando com o dono da casa o casamento com a filha.
Talvez tenha visto a moça uma vez. Ela, entretanto, nunca o vira antes.
Por uma fresta entre as tábuas velhas da parede Ana viu aquele a quem o mundo escolhera como seu marido. O mundo dos homens do início do século XX.
Ao lado dele, com o primeiro filho, seu olhar rebelde de criança assustada quase dá cor ao preto e branco da fotografia.



Minha amiga não gostava de sua avó.
Não conseguia entender porque a velha mulher era tão rude e estúpida com seu querido avô. Ele sempre tão meigo, tão bom, a brincar com os netos.
Enquanto o avô dava atenção às crianças, a velha bruxa ficava prostrada em seu canto, quieta e raivosa. Ela era má. Ele sem dúvida representava o bem. Não havia dúvidas de quem seria um dia condenado por deus. Cada palavra que ele lhe dirigia era respondida com uma agressão verbal. Às vezes ela sequer falava. Sua resposta era um grunhido.
Quando o avô morreu foram prestadas todas as homenagens que se prestam a um bom cristão. E é claro que não faltaram as flores para dar um tom de esperança e vida ao cortejo fúnebre.
Dias depois a avó quebrou um silêncio de décadas e reuniu os netos para contar-lhes um segredo.
Quando era ainda uma menina de doze anos, distraída com suas bonecas e brincadeiras, foi atacada por um homem mais velho quando voltava da roça. Violentada e violada brutalmente, voltou para casa arrastando-se entre o sangue e a vergonha.
Como um pequeno animal acuado, tremia desesperada quando caiu nos braços da mãe. Estava quase irreconhecível.
A boa sociedade não teve dúvidas do que fazer. Que se colocasse uma pedra sobre o assunto. O casamento e o silêncio eram a melhor solução.
Minha amiga passou a amar a sua avó, e o avô teve sua segunda e pior morte.


Naqueles anos – nas cidades iluminadas que Ana e a avó de minha amiga não conheciam - milhares de mulheres coloriam as ruas com suas cores e desejos. Não queriam mais ver o mundo através das frestas, nem tampouco ser obrigadas a casar com estupradores.
Começava a maior de todas as revoluções: a revolução das mulheres.

02 março 2013

Faltam mangueiras e responsabilidade


Piada pronta: Problema da Tia Carmen é falta de mangueiras...hehehe!

     Mas, falando sério, é triste perceber que só agora a Prefeitura de Porto Alegre descobriu que é sua OBRIGAÇÃO fiscalizar as casas noturnas.
     Umas 30 foram interditadas até agora, inclusive algumas do tipo Carmen's e Gruta Azul. Não fiscalizava ou fazia de conta? Irresponsabilidade? Corrupção? O que houve?
     Em outras palavras, estávamos diante de dezenas ou centenas de possibilidades de outras tragédias como a de Santa Maria, a cada final de semana...

19 fevereiro 2013

A esquerda no jardim de infância

Alguns grupos de esquerda do Brasil têm demonstrado um excesso de infantilismo, a doença denunciada por Lênin há mais de cem anos.
Senão como explicar este comportamento em relação à blogueira cubana que chegou ontem ao Brasil?

As pessoas parecem não se dar conta de que com estas manifestações estão (dialeticamente?) dando toda a razão para o que ela diz sobre o seu país.
Não estamos diante de alguém que matou, corrompeu ou cometeu algum crime. Impedir que se exiba um filme, tentar barrar o caminho, esfregar cédulas de dinheiro falso na cara de alguém...pô!
Torturadores da ditadura militar (por exemplo) mereceriam um tratamento assim. E seria até pouco para o tamanho da sua infâmia. Mas não estamos diante de uma torturadora.

Se formos observar com atenção a postura, os textos de seu blog e até mesmo o visual descolado, vamos descobrir semelhanças desta moça com a galera que se manifesta nas redes virtuais e nas ruas do Brasil.
Podemos até discordar do que eles estão dizendo, mas precisamos limpar bem os óculos para poder ao menos enxergar com nitidez como eles estão fazendo.



17 fevereiro 2013

TV, castelos, porcos e javalis


Na sexta à noite resolvi perder uns minutos de meu precioso tempo e liguei a tevê.
Como sempre, acabo torrando a paciência e "zapeando" os canais. Não aturo mais do que 20 ou 30 minutos. Me chateiam sobretudo as propagandas, tenho a impressão que estão me chamando de idiota. Um filme B dublado, dois programas lixo (tipo Ratinho), uns grandalhões se esmurrando numa luta qualquer, um programa de esportes repetindo as mesmas baboseiras sobre futebol, um pastor oferecendo o reino dos céus a um preço acessível, uma novela igual como todas as novelas...e na dona das mentes brasileiras o famoso "Globo Repórter". Vejo imagens bonitas de um castelo e paro pra ver.
Glória Maria, a experiente jornalista, fazendo materiazinha fuleira sobre castelos europeus. Repetindo clichês (tudo bem, entendo ela, ganhando sua grana fazendo pautas fáceis, perto de se aposentar e tal...). No meio disto, os bichinhos de sempre, bonitinhos, que amorzinho...
A relação castelos turísticos com vida dos animais? Bom, ficaram devendo esta preciosa informação. Provavelmente nem eles a possuem.
No trecho que assisti, mostraram a vida dos javalis. "Olha a mamãe javali com seus filhinhos, gente" - diz a repórter. Imaginei as pessoas em casa falando: "óin..que lindinho...".
Pois no mesmo dia, pela manhã, fomos visitar meu pai em Teutônia. Ele mora próximo a um frigorífico. Passaram por nós vários caminhões (fedidos) lotados de porcos. Os animais nas grades, uns sobre os outros, indo para a morte. Mamíferos, como os seres humanos criados a leites em pó vendidos em latas.
Lá matam 1000 porcos por dia. Será que as pessoas têm noção de como os porcos são mortos? Porcos e javalis têm hábitos e instintos comuns. Aliás, são animais muito parecidos. No abatedouro eles atravessam o pescoço do bicho com uma faca enorme, o sangue jorra. O animal grita. Os outros porcos que estão "na fila" para morrer tentam fugir desesperadamente. Eu, ingênuo, fico pensando que não deve ser assim tão saudável essa carne que vai chegar ao caminhão, aos mercados, aos pratos.
Alguma relação com o câncer, cada vez mais comum?
Pois as mesmas pessoas que acham lindinhos os javalis com sua mamãe fazendo o ninho, vão bem tranquilas ao supermercado e compram lá o seu porco para comer. Um animal criado em condições terríveis de confinação, stress, cheio de antibióticos. E se venderem carne de javali, comem também.

10 fevereiro 2013

Criando

Ando ausente aqui no blog e em outros espaços de diálogo virtual.
Motivos de criação. Trancado na oficina, sobretudo nas madrugadas.
Aproveitando o período de férias (e o tempo, raro) para costurar
a história do meu livro. Planos de terminá-lo em breve brevíssimo tempo.
Impressionante como um enredo nos envolve...

Qualquer coisa, me envie um e-mail: leleneukamp@yahoo.com.br


Hasta luego!