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12 março 2015

Tanto pouco

Sobram passeatas e contradição.
Há muito ódio pra pouca razão.
Muita criação de inimigos pra pouquíssima compreensão.
Pouca democracia pra tanta tensão.
Muito blá blá blá e nenhum tesão.
Nenhum representante pra tanta representação.

21 julho 2014

É

     Querem nos fazer crer que democracia é apenas apertar botãozinho a cada dois anos, e escolher entre seis e meia dúzia.
     Por isto, todos estes que dividem o poder estão juntos na campanha contra novas manifestações.
Também por isto as prisões.
     Há um ano atrás eles borraram as calças, agora semeiam o medo para que a gente não volte a mostrar a cara.
     Quem gosta de ser enganado, que acredite.
     Eu é que não fico "com a bunda exposta na janela pra passar a mão nela".

05 junho 2014

Mídia e democracia

Esse papel que a RBS (afiliada da Globo no RS) faz de porta-voz de seus governos, é lamentável. 
Novamente estamos vendo isto na greve (dos municipários) em Porto Alegre.
Ruim para a democracia, para o jornalismo, para a sociedade em geral.
Não é ao acaso que existem tantas pessoas e movimentos que se voltam à esta empresa para criticá-la. 
E chegamos a um novo período de eleição onde ela tem (além do atual governador que coloca força policial exclusiva para defender a empresa), 
seus próprios candidatos ao governo e ao senado.
Esse acúmulo de poder não pode ser bom, pois se uma voz se amplifica ao extremo outras tantas silenciam.
Não vai haver democracia real enquanto houver monopólio da informação.
Mas já estamos furando o bloqueio, as coisas já estão acontecendo...

20 junho 2013

Dos muitos vandalismos

O vandalismo das ruas é o resultado lógico do vandalismo do sistema.
Estas autoridades que aparecem cagonas na TV são as produtoras deste vandalismo. 
Quando a lógica do sistema (político, judicial) é o "não dá nada", o que pensa o homem comum? "Se não tem punição, então eu também vou fazer".

Prefeito de Porto Alegre triplicou número de CCs. Destruiu áreas verdes e tudo mais para as tais obras da Copa. Roubalheira nas secretarias.
Governo do Rio Grande do Sul mantém partidos em cargos onde foram pegos vendendo licenças ambientais.´
Professores ganhando miséria. Hospitais aos cacos.
Polícia tratando periferia como lixo.
Dilma mantém como aliados Collor, Sarney, Calheiros. Felicianos apoiam o governo.
Juízes vão ganhar 100 milhões de auxílio-moradia.
7 bilhões para construir estádios e emergências hospitalares lotadas.
Mulheres são estupradas em plena luz do dia dentro do transporte público no Rio.
Roubalheira na Bahia, em São Paulo, em todo lugar. Violência no Pará.
Índios esquecidos e expulsos de suas terras. Grandes fazendeiros protegidos e bem financiados...
E ALGUÉM AINDA SE ESPANTA QUE TENTEM INVADIR OS PALÁCIOS?
Os confrontos que estouram em várias partes são resultado da ação destes bundões lacaios que agora estão tremendo com medo de perder seu espaço de poder. Isto vale para PT, PMDB, PSDB, Dem, PP, PCdoB....e toda essa turma.
Isto quer dizer que somos golpistas? Ao contrário.
QUEREMOS DEMOCRACIA DE VERDADE. Golpe é eleger testa de ferro de multinacional se fazendo de líder de esquerda. Ou ladrão de direita se fazendo de exemplo da moral e bons costumes.
É preciso desenhar para que eles entendam? Este sistema representativo não representa mais ninguém, a não ser os interesses deles.

Um povo acostumado à manipulação e ao roubo vai se manifestar assim.
O Brasil está mostrando a sua cara, como pediu o Cazuza.

16 junho 2013

Efeitos imorais (Jânio de Freitas)

Já na passeata de terça-feira, alguém levava um cartaz bem visível para os PMs e mostrado várias vezes na TV: "Bala de borracha cega". Não era novidade para os soldados, era um lembrete. Não só para os soldados. Também para os meios de comunicação, dos quais, que me conste, nenhum fez alguma advertência contra o uso dessa arma. E cartaz dirigido também ao governador Geraldo Alckmin.
Um caso, entre tantos. Por um centímetro ou apenas milímetros, a repórter Giuliana Vallone, que não estava nas ruas como manifestante na quinta-feira, não perdeu um olho ao ser atingida por bala de borracha. Isso, no mínimo. Se uma dessas "balas não letais" atingir o flácido globo ocular, perfura-o e o cérebro está ao seu alcance. O resultado provável é a morte. Outras partes do corpo são também vulneráveis e tornam a vida vulnerável às balas de borracha. Agora mesmo um torcedor morreu, na Argentina, atingido por bala de borracha.
Qual é a finalidade dessa arma? É ferir, com todos os riscos de consequências além disso. Armas para afugentar, dispersar, conter à distância, sem o contato corpo a corpo do cassetete, são as bomba de gás lacrimogêneo e de gás de pimenta.
Em razão do seu cargo, o governador Geraldo Alckmin é o responsável pelo uso das balas de borracha e pelos riscos que impõem à integridade e até à vida de civis desarmados. Ainda que nem sejam participantes de atos vistos pelo governador como hostis ao seu governo.
Mas Geraldo Alckmin não é só governador. É médico. Tem ciência plena do que armas como as balas de borracha podem causar. E como médico tem o dever e o compromisso de servir à integridade e à vida de todo ser humano. É sua, no entanto, a responsabilidade pelo porte, pela autorização de uso e, portanto, pelas consequências das armas tão perigosas. Na linguagem convencionada, a sua é a posição de mandante do que quer que ocorra. E do que tenha ocorrido e venha a ocorrer às vítimas dos tiros com balas de borracha.
É no mínimo indecente que ainda hoje, sob o que consideramos regime democrático, chamemos os gases lacrimogêneo e de pimenta, os revólveres de choque e os tiros de borracha de armas de efeito moral. Denominação adotada pelos regimes de opressão policial-militar.
A volta de manifestações na semana entrante é mais provável do que uma solução para os protestos. Perspectiva idêntica fez aparecer na manhã de quinta-feira, nesta coluna, um trecho assim: "Quem lhes dá [aos oportunistas da arruaça] a oportunidade é sempre a polícia. As bombas de gás, os tiros, os cassetetes incitam as respostas desafiadoras: é a hora dos arruaceiros". À noite isso se confirmava, com reconhecimento até dos que afirmavam o oposto. É o que tende a ser visto outra vez, se as ordens dos mandantes da violência inicial não as retirarem. Ou até que haja morte. Com decorrências imprevisíveis.
O vídeo, posto na internet, do soldado quebrando vidros de um carro da PM, pode ficar como símbolo fiel dos acontecimentos em que um médico autoriza e avaliza o uso de armas perigosas contra pessoas em manifestação pacífica, a PM é que incita a desordem, e tudo é imoral nesses efeitos morais ao estilo das ditaduras, disfarçadas ou não.


Jânio de Freitas  (Folha de São Paulo, 16/06/2013)

[ótimo texto, lúcido, e totalmente em desacordo com a linha editorial da Folha - jornalão conservador e pró-governo paulista]

10 maio 2013

Deus e o torturador





Digo em nome de Deus”, disse o assassino.
Deus deve sentir ânsia de vômito cada vez que um torturador fala seu nome.
E talvez por algum segundo cósmico se pergunta por que enfim ainda acredita no ser humano.
Na foto quem você vê é o Coisa Ruim, "aquele do qual não dizemos o nome" (como na "Vila" do filme).

Um torturador é a própria encarnação do pior que podemos imaginar numa pessoa.
Em sua face está materializada (e real) a parte mais amarga do fruto dos nossos sonhos mais sombrios.

Um torturador deve ser um pesadelo para si mesmo.
A tortura é sempre uma covardia, seja em nome de que ela for praticada.

Hoje o tal coronel Ustra falou em Deus e bateu na mesa. Deve ter batido assim na mesa todas as vezes que torturou alguém, matou, maltratou, mandou matar. Covarde.
A alegria de uma pessoa qualquer é a tristeza profunda dele. Verdugo, golpista, fariseu. Coisa Ruim.
Poderia ser condenado a uma prisão ainda pior que o seu mundo interior. Um lugar fechado e cheio de fotos suas enormes nas paredes, como que a apontar a direção do inferno.
Condenado a ter de suportar a imagem que revela no que ele se transformou. Seu próprio rosto sendo-lhe jogado na cara 24 horas por dia, como mil catarros.

Hoje os espíritos dos mortos apontaram o dedo para sua face.
Se ele tivesse coração já teria morrido.
Se tivesse sangue seu rosto poderia ficar, quem sabe, rubro de vergonha.

Quando os assassinos começam a ir para o banco dos réus começamos a falar em democracia.
O que tivemos até agora foi apenas um ensaio.
Que o sol entre e espante o mofo das prateleiras.
Abrir as janelas é o mínimo que podemos fazer.
Em nome das vítimas.