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07 fevereiro 2014

Perdemos o Nico

Grande pessoa que perdemos, grande artista. Nico Nicolaiewsky.
Lembro que a primeira vez que conversamos foi num show dos Mulheres Negras,
no Santander Cultural.
Impossível não notar a familiaridade do Nico com o humor e originalidade do Mauricio Pereira e do André Abujamra.
Me chamou logo a atenção sua gagueira, que ele fez questão de reafirmar brincando o tempo todo com ela. Era um sujeito agregador, que prestigiava os artistas daqui e fazia questão de tentar aproximações.
Doce pessoa.
Adoro Tangos e Tragédias, como todo mundo. Mas me tocam mesmo os discos solo, lindos e tocantes. Tantos os discos do Nico quanto aquela obra do Hique Gomez, do homem banda.
"Onde está o amor?" nós cantamos alto aqui em casa. Só a mediocridade do esquema das rádios (jabá) para explicar por que várias delas não viraram sucessões.
"Feito um picolé no sol", do primeiro disco, é obra prima.
Nico conheceu o sucesso, e merecia muito mais.
Cedo, cedo demais.

10 julho 2012

Imaginação

Este é um dos hits aqui de casa. Danço eu com o Érico, e a Míti observando...


23 setembro 2011

O infinito de pé

O infinito de pé

André Abujamra


O infinito de pé são dois biscoitos
O infinito de pé é o número oito
O infinito de pé dois planeta colado
O infinito deitado um óculos quebrado

O infinito de pé duas bolas de sorvete
Um casal de namorado na moto com capacete
Boneco de neve, dois vinhos na adega
Farol de milha de noite quase cega

O infinito deitado olhos de coruja
Dois seres humanos fazendo amor
O infinito de pé é um autorama
Duas pulgas malabaristas no meu cobertor

O infinito deitado cano duplo de espingarda
São os raios de sol nos olhos da namorada
Dois salva vidas à devida no oceano
É a linda cauda da baleia afundando

Oitocentos anos infinito lado a lado
Só que um está de pé e o outro deitado
Buraquinhos do nariz as asas da borboleta
Dois irmãos gêmeos no carrinho de mãos dadas com chupeta

O infinito tá de pé o infinito tá

O infinito deitado janelinha de avião
É o símbolo da paz passarinho a minha mão
É o laço do cadarço para o tênis amarrar
É o beijo na sua boca para o amor alimentar

Ouro sem u e sem r
O infinito é o bigode do francês Pierre
Oco sem c ovo sem v
O infinito é o amor que eu sinto por você

Dois mil e um sem o dois e sem o um
O infinito é uma dupla de sushi de atum
É o reflexo do sol no mar
É a sinuca do bilhar

O infinito de pé é um brinde na taça
Dois buracos na cueca devorados pela traça
Os pneus da bicicleta subindo a ladeira
São os seios da Brigite pra fora da banheira

Dois cocos, duas laranjas, bola de gude bola de meia
O infinito é Jesus Cristo repartindo o pão para os apóstolos na Santa Ceia
Nem todo infinito tem forma pra mim
Einstein Rodchenko Picasso e Tom Jobim
O infinito tá de pé o infinito tá

O infinito é infinito
O infinito é o amor
O infinito nunca acaba porque nunca começou