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25 julho 2013

O Papa pop

Nas férias assisto TV. É uma boa maneira de não fazer nada da vida. Nem é preciso pensar, eles fazem isso pela gente.
Vejo um papa (pop) e inteligente saudado por milhares na rua, exaltado por uma Globo entusiasta. E outros tantos na frente do palácio real na Inglaterra, aquele mesmo palácio cercado por grades de ouro (ouro retirado do Brasil).
Carnaval aqui e lá.
O Brasil conquistou o mundo. A carnavalização da vida se espalhou. E isto é só constatação, não vai aí nenhuma crítica.
Melhor o carnaval para o Papa do que gente na rua exigindo "cura gay" ou a proibição do divórcio.
Mas é sempre bom lembrar: o Estado deve ser LAICO.


09 julho 2013

Greve geral, "só que não"

Vou participar deste movimento de quinta por respeito à decisão da maioria.
Mas não aposto nenhuma ficha nele. Me cheira a protesto "chapa branca", porque nem o nome de greve querem colocar. Medo de que, medo de quem?
Os sindicatos, em geral, se tornaram correias de transmissão do governo. Cargos e grandes programas gerenciados pelas burocracias sindicais.
Ao contrário do que agora querem nos fazer crer, antes é que éramos anônimos nas passeatas. Uma massa anônima atrás de um caminhão de som e de uma bandeira.
Me senti bem mais animado nas passeatas do mês de junho. Me animam as várias propostas e reivindicações, a diversidade, nem de longe me lembram fascismo (como a militância oficial propagou). Fascismo é a fé cega, o silêncio servil, a certeza bem paga.
Há muita gente com medo de povo no Brasil. Na direita e na esquerda o medo da democracia é grande. Para algumas pessoas, "democracia" é quando todos concordam com o que eu penso. O inverso é mais verdadeiro.
Muito preconceito contra os jovens, isto sim está bem espalhado por estas terras. Até mesmo vindo de sujeitos nem tão velhos assim (ao menos em relação ao tempo de vida). As pessoas fazem 40, se sentem com 120 e pregam uma moral de 200 anos.

Participei das greves gerais dos anos oitenta. Recebi desconto no salário. Humilhações. Numa das vezes fui o único a parar. Em outra fui parar no Juizado de Menores. O PT era um partido de esquerda e a CUT era contra os governos e patrões.
Eram outros tempos, melhores em alguns sentidos e piores em outros. Era bom ter um partido de esquerda forte, sindicatos que realmente representavam. Mas não vamos ficar chorando sobre o leite derramado. É hora de construir outras formas de organização. Que formas são estas? Também não sei. Sou filósofo e não profeta. Sejamos criativos. Nada de ficar só reclamando da vida. Criação, gentes. Invenção.

Perguntar não ofende: o Tarso Genro vai colocar a polícia de choque na rua quinta? Já acabaram as bombas de gás lacrimogênio vencidas? Se acabaram, alguém já providenciou a compra das novas?


Elenilton Neukamp

06 julho 2013

Tropa de Nhoque

A Tropa de Nhoque esteve lá para garantir a segurança e evitar o vandalismo.
Era uma passeata da polícia militar do Rio Grande do Sul, a mesma que havia recebido graciosamente os manifestantes com bombas de gás lacrimogênio (vencidas).
Os policiais, ao verem a Tropa de Nhoque, dispararam logo o seu bom humor (fruto da boa formação recebida):
"Esses são os baderneiros que apanham!".
"Vão tomar banho, maconheiro fedorento!".
"Eles estão recebendo pra fazer isto".



01 julho 2013

Uma bela constatação

"O que as pessoas não entendem - ou não querem entender - é que o futebol envolve dinheiro demais para que os homens deixem a bola rolar à sua própria sorte." 

Karina Lopes

26 junho 2013

O nosso tempo é hoje

Algo realmente grande está acontecendo quando um país como o Brasil reúne na rua, fora do estádio e protestando, o mesmo número de pessoas que estão assistindo ao jogo da seleção.
O assunto futebol caiu para quinto plano. Não está colando. A pátria tirou as chuteiras e foi pra rua.
Ontem, a TV Câmara ficou em 4º lugar em audiência durante votação da PEC 37. A TV Câmara é o negócio mais porre do mundo. A audiência recorde é o interesse das pessoas pela política. É impressionante!. Quem tentar reduzir isto não está entendendo nada, ou está "se fazendo" (como dizem meus alunos).

Enfadonhas as análises dos sociólogos e analistas de plantão da mídia. Opinião encomendada dá sono. Uns forçam a barra tentando partidarizar a indignação. Outros forçam a barra puxando o saco do patrão.
Os amigos do rei pensam controlar a vontade popular, e insistem em tentar desqualificar a inteligência das pessoas que se manifestam. Estão cavando a própria sepultura.
O PT e o PSDB poderiam se unir visando 2014, seria mais sincero. De qualquer forma, o bicho vai pegar para os dois.

A versão de que "a presidenta ouviu as ruas" ou "o Congresso ouviu as ruas" é risível: equivale a admitir que até ontem eles não ouviam rua nenhuma. Eles não "ouviram" nada, eles estão é borrados de medo, com o xx na mão. Todos sabiam muito bem o que precisava ser mudado. Mas pra que mudar se eu estou ganhando muito do jeito como está?

As ruas falam contra políticos, Justiça, policias. Nenhuma instituição é poupada. Ninguém se sente bem representado ou defendido, e há todos os motivos para se pensar assim. A Justiça é cara, lenta, e decide em geral apenas a favor de uma certa classe social.

Reduzir todo o acontecimento aos atos de quebra-quebra é de uma pobreza lamentável, nem a grande imprensa conseguiu empurrar esta versão. Quando escuto esta conversa de alguém logo penso: "que pobreza de espírito".

A grande mídia também é alvo - o povo sabe de que lado ela sempre esteve.

Percebo um grande preconceito contra os jovens, vindo de todos os conservadores: de esquerda e de direita. Antes eles eram "acomodados", agora são "vândalos" e inconvenientes. Às vezes percebo um ar de ciúmes, como quem diz "eu adoraria ter sua idade" ou "eu fui assim um dia e me tornei isto"...
Uma ex-aluna me encontra (emocionada) na passeata: "Sôr, como é que a gente ia saber de tudo isso, se a gente nunca tinha experimentado?". Um outro publica no Facebook: "Agora entendo o que o professor Elenilton queria dizer com destino". O destino que a gente faz.

Figuras que conheci aos 20, que se diziam "revolucionários" e agora aos 40 se sentem com oitenta e repetem aquele bordão chato e ranzinza: "no meu tempo era melhor".

O nosso tempo é hoje.


[Parafraseando o Paulinho da Viola]


25 junho 2013

Bombas e governos vencidos




Observem com atenção a foto.
As bombas que estão sendo atiradas sobre os manifestantes em Porto Alegre
são vencidas. Provavelmente porque há muito que este tipo de recurso não é utilizado. Mas agora a nova direita (PT) resolveu voltar a estes métodos, já que a chantagem do "golpe" e do "fascismo" não deu certo...

Hoje ouvi um relato sobre um rapaz que foi ao Hospital de Pronto Socorro e foi diagnosticada uma moléstia pulmonar por conta das bombas de gás vencidas.
Parece piada. Mas não é.

A foto é do jornal www.sul21
.com.br



O vídeo abaixo é uma das pequenas gravações que fiz ontem à noite, na passeata. A câmera é bem simples, por isto a qualidade da imagem é baixa.
As explosões ao fundo são obra dos policiais militares, que encontraram a melhor maneira de acabar com manifestações: jogando bomba sobre as pessoas.
Parabéns senhor Tarso Genro. Sua polícia é muito eficiente. Só falta explicar porque não tem a mesma eficiência contra bandidos, saqueadores etc.E ainda vejo petistas compartilhando no Facebook o "mi mi mi" de golpe e fascismo... É pra rir?