Não acredito num mundo dividido em bons e maus, verdadeiros e falsos.
Nenhuma informação posso dividir sobre estes rapazes do Fora do Eixo.
Mas pela violência com que são atacados por setores reacionários como a revista Veja, começo a desconfiar que estão fazendo algo interessante.
Quando alguém ou alguns começam a fazer a diferença e ameaçar as posições que certas figuras ocupam, rapidamente se tenta desconstruir sua imagem pública.
Foi assim com o Julian Assenge do Wikileaks (escrevi corretamente?) e tantos outros.
Devagar, então, e cuidado com a fonte da informação.
Revista Veja é fonte apenas para quem acredita num mundo onde a diferença deve ser exterminada.
Não se enganem, se estivéssemos na Alemanha nazista a Veja seria a revista oficial do regime.
A Veja é o Eixo.
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15 agosto 2013
Cuidado com o Eixo
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13 agosto 2013
Túnel do amor
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10 agosto 2013
Mambembe
08 agosto 2013
Triste São Paulo
São Paulo, pelo seu tamanho e importância, é nosso centro nervoso.
Esta família assassinada é uma tragédia pra lá de simbólica. Demonstra o que há de mais sinistro na nossa construção como sociedade.
Enquanto o governo paulista mergulha nos escândalos de corrupção, um menino de 13 anos é acusado de assassinar os próprios pais.
Corrupção e violência são irmãs.
No mesmo batalhão onde trabalhavam pai e mãe (policiais), há quatro anos o então comandante foi morto em uma emboscada . O tenente-coronel investigava um grupo de extermínio composto por policiais que ele comandava.
Em meio às investigações do crime dos últimos dias, o atual comandante afirmou que a mãe do garoto havia denunciado colegas seus (policiais) por roubos de caixas eletrônicos - insinuando que este poderia ser o motivador da chacina.
Hoje ele misteriosamente mudou a versão, mas se recusou a falar com a imprensa novamente.
Seja qual for a verdade deste caso, é evidente que a polícia que temos hoje no Brasil não serve mais. Precisamos de inteligência para combater o crime e não de uma força armada treinada para combater inimigos potenciais.
Quando bons policiais (sim, eles existem) começam a sentir vergonha de falar em suas corporações, então algo muito sério está acontecendo.
Quem acha bonita a ideia de que "bandido bom é bandido morto", deve se dar conta que está apoiando chacinas como esta.
Os mesmos policiais que se sentem autorizados a sair matando em nome "dos cidadãos de bem", irão se sentir protegidos para fazer qualquer coisa (inclusive matar seus próprios colegas, se necessário).
Fui um dos primeiros no país a divulgar no Facebook aquela famosa foto da Folha de São Paulo, onde aparece um policial jogando spray de pimenta em um cinegrafista durante uma manifestação em junho. No dia seguinte, uma enxurrada de comentários de policiais paulistas exalava ódio. Muitos eu excluí, para preservar meus alunos que poderiam ter acesso àquilo.
O mais tranquilo dizia que ao invés de spray o policial deveria ter uma espingarda calibre 12 carregada...
Eu vou pelo caminho contrário: precisamos de muitos outros cinegrafistas, e não nos servem mais as espingardas carregadas nem o spray de pimenta.
Aqui da província observo com preocupação a pauliceia desvairada.
Esta família assassinada é uma tragédia pra lá de simbólica. Demonstra o que há de mais sinistro na nossa construção como sociedade.
Enquanto o governo paulista mergulha nos escândalos de corrupção, um menino de 13 anos é acusado de assassinar os próprios pais.
Corrupção e violência são irmãs.
No mesmo batalhão onde trabalhavam pai e mãe (policiais), há quatro anos o então comandante foi morto em uma emboscada . O tenente-coronel investigava um grupo de extermínio composto por policiais que ele comandava.
Em meio às investigações do crime dos últimos dias, o atual comandante afirmou que a mãe do garoto havia denunciado colegas seus (policiais) por roubos de caixas eletrônicos - insinuando que este poderia ser o motivador da chacina.
Hoje ele misteriosamente mudou a versão, mas se recusou a falar com a imprensa novamente.
Seja qual for a verdade deste caso, é evidente que a polícia que temos hoje no Brasil não serve mais. Precisamos de inteligência para combater o crime e não de uma força armada treinada para combater inimigos potenciais.
Quando bons policiais (sim, eles existem) começam a sentir vergonha de falar em suas corporações, então algo muito sério está acontecendo.
Quem acha bonita a ideia de que "bandido bom é bandido morto", deve se dar conta que está apoiando chacinas como esta.
Os mesmos policiais que se sentem autorizados a sair matando em nome "dos cidadãos de bem", irão se sentir protegidos para fazer qualquer coisa (inclusive matar seus próprios colegas, se necessário).
Fui um dos primeiros no país a divulgar no Facebook aquela famosa foto da Folha de São Paulo, onde aparece um policial jogando spray de pimenta em um cinegrafista durante uma manifestação em junho. No dia seguinte, uma enxurrada de comentários de policiais paulistas exalava ódio. Muitos eu excluí, para preservar meus alunos que poderiam ter acesso àquilo.
O mais tranquilo dizia que ao invés de spray o policial deveria ter uma espingarda calibre 12 carregada...
Eu vou pelo caminho contrário: precisamos de muitos outros cinegrafistas, e não nos servem mais as espingardas carregadas nem o spray de pimenta.
Aqui da província observo com preocupação a pauliceia desvairada.
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31 julho 2013
Futebol
Você percebe o quanto uma sociedade está atrasada
quando a discussão mais "polêmica" e "séria" (com direito a manchetes de capa de jornal) é o jogo de futebol de domingo...se deve haver uma ou duas torcidas e blá-blá-blá.
Penso que já gastam demais nosso dinheiro (público) com tudo isso.
Os clubes riquíssimos e a população pagando policiamento, estrutura, terrenos, isenções fiscais.
O futebol é popular, tudo bem. Mas isto não justifica tanto estardalhaço.
Aliás, como entretenimento para ser assistido no próprio local, até "popular" ele deixou de ser. Os ingressos agora são apenas acessíveis à classe média.
Um bom início seria utilizar estas centenas de policiais que ficam nos estádios
para outros fins. As vilas, por exemplo, são há muito tempo território dominado pelas quadrilhas e a população vive sob o medo constante.
Por que Inter e Grêmio, clubes riquíssimos, não pagam sua própria segurança? Por que eles mesmos não financiam obras no entorno de seus estádios?
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29 julho 2013
Lorottachenko - A entrevista
Eis aí o nosso filme.
Produção coletiva dos alunos e alunas da escola Dolores, coordenados por mim.
Espero que vocês gostem.
Rimos muito.
Produção coletiva dos alunos e alunas da escola Dolores, coordenados por mim.
Espero que vocês gostem.
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Coisas da vida e outras alegrias
Essas coisas da vida.
Escolhi o feijão e fiquei impressionado com a beleza das cores. Tudo misturado. Pretos, cariocas, rajados, vermelhos etc.
Domingo, em Santa Catarina, um encontro inusitado com o Paulo Paim (que segue o mesmo cara acessível e simpático). Ele se revelando também insatisfeito me surpreende. O senado é um clube luxuoso, onde a insatisfação é extremamente rara e muitas vezes paga com o ostracismo.
Ontem um maluco aqui da rua me interpelou. Há alguns, de várias intensidades e loucuras. Quando passo com meu filho ele grita num tom sincero: "Como é lindo o amor entre pai e filho!". Fico pensando que há algo de confessional nesta sua fala, como um pai ausente ou um filho que não pode ser visitado.
Ontem ele veio caminhando rapidamente ao meu encontro: "Hei...o senhor que é educador". Olha o jeito bonito que ele me saudou.
Converso com os malucos, as freiras e o morador de rua aqui da esquina. Não tenho defesas anti-gentes e nem quero tê-las. Possuo esta cara de professor de filosofia, então as pessoas imaginam que há algo mais do que um cara magrinho passeando com sua cachorrinha, ou com a cachorrinha e o filho. Nas suas fantasias acabam criando boas questões e surgem mesmo belas conversas. Vocês acreditam que há pessoas que me param e perguntam coisas do tipo: "Tu é professor de filosofia, né? Então me diz o que é que tu pensa sobre Deus? Deus existe ou não?". Coisinhas básicas assim.
Também empresto e dou livros. Dizem que há dois tipos de idiota, aquele que empresta livros e aquele que os devolve. Se isto é verdade, então geralmente as pessoas que me pedem livros não são nada idiotas. Mas tudo bem, o importante é que os livros circulem por aí, já que seu destino é serem lidos.
Ele veio me perguntar o que achei do Papa.
E me surpreendeu. Meu vizinho de rua, tem uma formação de fazer inveja. Leu Goethe, Nietzsche, Santo Agostinho, Kafka. Citou de memória um fragmento zen budista, leu a Bíblia e tem dela interpretações altamente criativas e interessantes... Também logo me identificou com o existencialismo, o que demonstra o quanto é perspicaz e atento.
Me disse que esteve muitos anos com os jesuítas, mas foi expulso porque "era muito louco e bebia todas".
Impressionou-lhe a simplicidade do homem culto (o Papa) falando nos mais pobres. Lhe disse que gostei de um fragmento que ouvi de uma televisão ligada: "não trago ouro nem prata...mas a disposição para o diálogo".
Sim, é verdade, "gente é outra alegria".
Escolhi o feijão e fiquei impressionado com a beleza das cores. Tudo misturado. Pretos, cariocas, rajados, vermelhos etc.
Domingo, em Santa Catarina, um encontro inusitado com o Paulo Paim (que segue o mesmo cara acessível e simpático). Ele se revelando também insatisfeito me surpreende. O senado é um clube luxuoso, onde a insatisfação é extremamente rara e muitas vezes paga com o ostracismo.
Ontem um maluco aqui da rua me interpelou. Há alguns, de várias intensidades e loucuras. Quando passo com meu filho ele grita num tom sincero: "Como é lindo o amor entre pai e filho!". Fico pensando que há algo de confessional nesta sua fala, como um pai ausente ou um filho que não pode ser visitado.
Ontem ele veio caminhando rapidamente ao meu encontro: "Hei...o senhor que é educador". Olha o jeito bonito que ele me saudou.
Converso com os malucos, as freiras e o morador de rua aqui da esquina. Não tenho defesas anti-gentes e nem quero tê-las. Possuo esta cara de professor de filosofia, então as pessoas imaginam que há algo mais do que um cara magrinho passeando com sua cachorrinha, ou com a cachorrinha e o filho. Nas suas fantasias acabam criando boas questões e surgem mesmo belas conversas. Vocês acreditam que há pessoas que me param e perguntam coisas do tipo: "Tu é professor de filosofia, né? Então me diz o que é que tu pensa sobre Deus? Deus existe ou não?". Coisinhas básicas assim.
Também empresto e dou livros. Dizem que há dois tipos de idiota, aquele que empresta livros e aquele que os devolve. Se isto é verdade, então geralmente as pessoas que me pedem livros não são nada idiotas. Mas tudo bem, o importante é que os livros circulem por aí, já que seu destino é serem lidos.
Ele veio me perguntar o que achei do Papa.
E me surpreendeu. Meu vizinho de rua, tem uma formação de fazer inveja. Leu Goethe, Nietzsche, Santo Agostinho, Kafka. Citou de memória um fragmento zen budista, leu a Bíblia e tem dela interpretações altamente criativas e interessantes... Também logo me identificou com o existencialismo, o que demonstra o quanto é perspicaz e atento.
Me disse que esteve muitos anos com os jesuítas, mas foi expulso porque "era muito louco e bebia todas".
Impressionou-lhe a simplicidade do homem culto (o Papa) falando nos mais pobres. Lhe disse que gostei de um fragmento que ouvi de uma televisão ligada: "não trago ouro nem prata...mas a disposição para o diálogo".
Sim, é verdade, "gente é outra alegria".
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