São Paulo, pelo seu tamanho e importância, é nosso centro nervoso.
Esta família assassinada é uma tragédia pra lá de simbólica. Demonstra o que há de mais sinistro na nossa construção como sociedade.
Enquanto o governo paulista mergulha nos escândalos de corrupção, um menino de 13 anos é acusado de assassinar os próprios pais.
Corrupção e violência são irmãs.
No mesmo batalhão onde trabalhavam pai e mãe (policiais), há quatro anos o então comandante foi morto em uma emboscada . O tenente-coronel investigava um grupo de extermínio composto por policiais que ele comandava.
Em meio às investigações do crime dos últimos dias, o atual comandante afirmou que a mãe do garoto havia denunciado colegas seus (policiais) por roubos de caixas eletrônicos - insinuando que este poderia ser o motivador da chacina.
Hoje ele misteriosamente mudou a versão, mas se recusou a falar com a imprensa novamente.
Seja qual for a verdade deste caso, é evidente que a polícia que temos hoje no Brasil não serve mais. Precisamos de inteligência para combater o crime e não de uma força armada treinada para combater inimigos potenciais.
Quando bons policiais (sim, eles existem) começam a sentir vergonha de falar em suas corporações, então algo muito sério está acontecendo.
Quem acha bonita a ideia de que "bandido bom é bandido morto", deve se dar conta que está apoiando chacinas como esta.
Os mesmos policiais que se sentem autorizados a sair matando em nome "dos cidadãos de bem", irão se sentir protegidos para fazer qualquer coisa (inclusive matar seus próprios colegas, se necessário).
Fui um dos primeiros no país a divulgar no Facebook aquela famosa foto da Folha de São Paulo, onde aparece um policial jogando spray de pimenta em um cinegrafista durante uma manifestação em junho. No dia seguinte, uma enxurrada de comentários de policiais paulistas exalava ódio. Muitos eu excluí, para preservar meus alunos que poderiam ter acesso àquilo.
O mais tranquilo dizia que ao invés de spray o policial deveria ter uma espingarda calibre 12 carregada...
Eu vou pelo caminho contrário: precisamos de muitos outros cinegrafistas, e não nos servem mais as espingardas carregadas nem o spray de pimenta.
Aqui da província observo com preocupação a pauliceia desvairada.
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08 agosto 2013
05 agosto 2011
Ai, que machões!
FERNANDO DE BARROS E SILVA
Em matéria de política, o vereador Carlos Apolinário é um grande adepto do troca-troca.
Já esteve no PMDB, passou por um tal PGT, frequentou o PDT e hoje se abriga no DEM. Apesar disso, Apolinário é um homem de convicções. Acaba de conseguir aprovar o Dia do Orgulho Heterossexual, que o mobiliza desde 2005.
De 55 vereadores, 31 machões votaram a favor da data comemorativa -um monumento à homofobia chancelado pela casa legislativa da maior cidade do país. Não deixa de ser um exemplo triste mas também cômico de sucupirização explícita da Câmara Municipal de São Paulo.
Cada um dos marmanjos recebe por lá R$ 15.033 mensais de salário, mais R$ 16.359 de verba de gabinete para custear despesas várias. Somando-se a bolada com a verba dos assessores, cada vereador custa aos cofres públicos R$ 115 mil por mês.
Esses senhores gravitam em torno de seus interesses, à margem da formulação de políticas públicas ou do planejamento estratégico da cidade. Operam no balcão, muitos deles especialistas em criar dificuldades para vender facilidades.
Não lhes faltou tempo nem energia para aprovar esse disparate, de fazer corar Jece Valadão. Os heterossexuais não são uma minoria, nem quantitativa nem sob o aspecto comportamental. Não existe discriminação -piadas, humilhações, ameaças e agressões, físicas ou morais- a casais ou pessoas hétero.
Mas essa não é apenas uma lei inútil. Trata-se de uma iniciativa nociva, que, a pretexto de "resguardar a moral", atiça o preconceito, incorporando-o ao calendário oficial da cidade. Seria como inventar o Dia da Consciência Branca.
Ao reivindicar um direito que nunca esteve ameaçado, o que se visa é bombardear direitos inexistentes ou em gestação. Essa fascistada representa menos uma data a ser celebrada do que um passe livre para que nos demais 364 dias do ano o macho ameaçado pela própria homofobia possa exercitar as várias faces da sua intolerância.
Texto publicado na Folha de São Paulo, em 05 de agosto de 2011
Em matéria de política, o vereador Carlos Apolinário é um grande adepto do troca-troca.
Já esteve no PMDB, passou por um tal PGT, frequentou o PDT e hoje se abriga no DEM. Apesar disso, Apolinário é um homem de convicções. Acaba de conseguir aprovar o Dia do Orgulho Heterossexual, que o mobiliza desde 2005.
De 55 vereadores, 31 machões votaram a favor da data comemorativa -um monumento à homofobia chancelado pela casa legislativa da maior cidade do país. Não deixa de ser um exemplo triste mas também cômico de sucupirização explícita da Câmara Municipal de São Paulo.
Cada um dos marmanjos recebe por lá R$ 15.033 mensais de salário, mais R$ 16.359 de verba de gabinete para custear despesas várias. Somando-se a bolada com a verba dos assessores, cada vereador custa aos cofres públicos R$ 115 mil por mês.
Esses senhores gravitam em torno de seus interesses, à margem da formulação de políticas públicas ou do planejamento estratégico da cidade. Operam no balcão, muitos deles especialistas em criar dificuldades para vender facilidades.
Não lhes faltou tempo nem energia para aprovar esse disparate, de fazer corar Jece Valadão. Os heterossexuais não são uma minoria, nem quantitativa nem sob o aspecto comportamental. Não existe discriminação -piadas, humilhações, ameaças e agressões, físicas ou morais- a casais ou pessoas hétero.
Mas essa não é apenas uma lei inútil. Trata-se de uma iniciativa nociva, que, a pretexto de "resguardar a moral", atiça o preconceito, incorporando-o ao calendário oficial da cidade. Seria como inventar o Dia da Consciência Branca.
Ao reivindicar um direito que nunca esteve ameaçado, o que se visa é bombardear direitos inexistentes ou em gestação. Essa fascistada representa menos uma data a ser celebrada do que um passe livre para que nos demais 364 dias do ano o macho ameaçado pela própria homofobia possa exercitar as várias faces da sua intolerância.
Texto publicado na Folha de São Paulo, em 05 de agosto de 2011
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