Total de visualizações de página

06 dezembro 2010

Érico

Este é o Érico.
Ele nasceu no dia 24 de novembro.
É sagitariano.
Os pés ligeiros que cavalgam sobre as certezas móveis da Terra.
O corpo esguio de homem com suas lutas para viver e mudar a vida.
E o arco retesado de sonhos,
lançando as flechas afiadas da utopia.

Teu lugar é de lucidez? De líder? Rebelde, tranquilo, resignado?
Tudo isto só a ti cabe.
Escolhe.
A mim cabe a vigília, o cuidado.
Os braços que te carregarão quando dormires
e que apontarão para ti as estrelas.
Eu irei te ajudar a ver o mar,
quando teu olhar emocionado nele mergulhar.

18 novembro 2010

Érico e a lua

A lua está ficando cheia
e logo você vem

será que também
cheguei numa bela noite
de primavera?

eu e a Míti
saímos a ver
o vento
e a sentir
a lua

nos diz ela
que você vem chegando

e que tua cabeleira
vem ornada de estrelas

teus dons todos
se abrindo
e recebendo o dia


vi o teu ser
e fui ver
o sol

a pele da tua mãe
se morenava
em largos goles
de crepúsculo

te esperamos.

14 novembro 2010

O Amor (parte I)


“Quanto mais o amor me transpassar, quanto mais violentamente
me fizer arder, tanto melhor me vingarei das minhas feridas” (Ovídio)

Os deuses fizeram uma grande festa, onde apenas a deusa Penia (Pobreza), miserável e faminta, não foi convidada. Mas, ao final da festa, Penia aparece, come os restos e dorme com o deus Poros (Riqueza) sem que ele compreenda o que está acontecendo. Da relação dos dois nasceu Eros (Cupido), que como sua mãe está sempre sedento e faminto mas, como seu pai, tem sempre astúcia para se satisfazer e se fazer amado.
O amor, assim, é representado como a ânsia de sair de uma situação de penúria para uma de riqueza, a oscilação entre possuir e não possuir; algo que não se tem e se deseja ter, ou se tem ainda que não se saiba; o que se quer viver e não se vive ou o que se está vivendo sem perceber.
Em outro mito, Eros é filho de Afrodite e Ares. Vive flechando os corações para apaixoná-los, mas acaba ele mesmo se apaixonando por Psiqué (Alma). Sua mãe, com inveja da beleza de Psiqué, afasta-a dele e a submete a duras provas e sofrimentos, dando-lhe como companheiras a Inquietude e a Tristeza. Novamente aparece o amor como união de elementos opostos, ou como nas palavras de Sócrates no Banquete: “É capaz de desabrochar e de viver, morrer e ressuscitar no mesmo dia. Come e bebe, dá e se derrama, sem nunca estar rico ou pobre”.
Para Platão, Eros deve subordinar-se a Logos, ou seja, o amor subordina-se à razão. A razão é mais forte que a paixão e a comanda, ao contrário do que sugere a música de Tom Zé: “Amar, amar/ceder ao coração/a razão...” Já um filósofo como Nietzsche vai num caminho distinto do de Platão. Deixar a razão comandar, diz ele, é uma estupidez, atitude de fracos que temem o poder avassalador de seus próprios instintos, de sua força vital. Para ele, bom é tudo o que fortalece o desejo da vida e a razão não deve intrometer-se e ditar regras. Mas será mesmo assim? Será que é a própria razão um problema? Ou será que devemos guiar-nos por ela e controlar nossas paixões?




(Na foto, o casamento de Fernanda e Jordi. Porto Alegre, outubro de 2010)

Robótica Dolores


Parabéns aos alunos do grupo de Robótica da Escola Dolores, que irão nos representar na etapa nacional da Olimpíada Brasileira de Robótica, em São Paulo. Parabéns à professora Vera Sotério, que coordena, organiza e "puxa" o grupo...
A ida se dá a partir do resultado da participação do grupo no Torneio FLL Regional FEEVALE Smart Move (em Novo Hamburgo, no final de outubro), do qual tive a alegria de acompanhá-los.


(Na foto, prof. Vera sendo entrevistada em evento anterior)

01 outubro 2010

O pesadelo

"O pesadelo" é um curta-metragem produzido por um grupo da turma C12 da escola Dolores Alcaraz Caldas, de Porto Alegre. O grupo foi organizado por mim, mas a escolha do roteiro, enredo, etc. ficou por conta do grupo.


No YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=yOI2ZqU0XtY

23 setembro 2010

Primaveras

“...todo jornal que eu leio/me diz que a gente já era/
que já não é mais primavera/oh, baby, oh, baby/
a gente ainda nem começou...” (Raul Seixas)

No final dos anos oitenta um sopro de primavera parisiense passeou por nossas ruas. Como bom caminhante, dobrei com ele minhas esquinas. E fizemos movimentos. E paramos o trânsito. Piquetes sob a chuva que trancavam as portas da madrugada à força de um abraço apertado. A energia, a mágica e envolvente energia das multidões unidas em um só grito. “Fecha! Fecha! Fecha!”, e as portas baixando. Corre, não respira porque isso daí é gás lacrimogênio! No trabalho os colegas rindo e chamando o rapaz de sonhador. Entra o gerente geral: “O que é isso escrito no seu rádio?” Um adesivo improvisado. Brasil Urgente, Lula presidente. “O senhor pode passar no departamento pessoal”. O senhor de quinze anos é demitido mas não se dobra. Ah, se todos ao menos uma vez na vida pudessem sentir aquela sensação de poder, aquela liberdade, aquele abrir o peito assim no meio da rua... Aos trinta e tantos ele caminha em vastas e amplas calçadas carentes de gentes re-unidas, escandalosas em suas urgências. Mas agora o Brasil deixou de ser urgente. E o gerente geral vai dormir, feliz com o seu presidente.


Construímos sonhos. Levamos nossos mais nobres sentimentos para passear nas praças. Ar livre. Sol para as generosas idéias. Bandeiras vermelhas e música. Muita música, porque um outro mundo não pode se fazer ao som das engrenagens. Nos diálogos diários e no balançar do ônibus uma nova conquista. Mais companheiros na nau colorida das transformações. O país dos jovens. Adolescência crivada de flores, adornada com estrelas. Tudo que foi quimera agora se torna imediato. O dia será hoje. Não há mais séculos a esperar. Somos mais fortes que essa história bruta. Vem, pega minha mão. Se me deres um beijo haverá mais um motivo para minhas lágrimas...
Quando despertamos, algo estranho embaçava nosso olhar. A História era mais forte do que imaginávamos. Os que antes podíamos mirar fundo nos olhos agora já estavam bem longe, pequeninos em frente a tolos aglomerados. E o que se disse não era bem assim. Quem é o inimigo? “O inimigo sou eu? O inimigo é você?” As palavras são trancafiadas em palácios. E sufocam. As palavras morrem porque sugam seu sangue.
“E já não se sabia mais quem era humano e quem era porco”.

Estamos no século vinte e um. Mais ávidos que nunca pela criação de outras primaveras.