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14 dezembro 2012
Outra escola, outras crianças mortas
Os americanos, assim como nós, têm muito o que repensar sobre si.
Algo muito errado, diabolicamente errado deve estar acontecendo
em um país que vive de chacina em chacina.
Sim, o Brasil é violentíssimo e a gente sabe muito bem.
Mas isto de abrir fogo sobre crianças em escolas
é simbólico demais, mesmo em sua loucura, para ser explicado somente como violência ou dor.
Deu errado a tal civilização ocidental?
10 dezembro 2012
A falta de água, o Universo, nós
Estou lendo as queixas (justas) dos meus amigos/as de São Leopoldo com relação a falta de água. Com um calorão destes a coisa fica bem pior.
Meus alunos de Porto Alegre não sabem, mas fui durante 10 anos professor de História e Geografia, e sempre tratei da questão da água e do Rio dos Sinos.
Quando falava, lá por 1996, que iria faltar água no futuro na cidade alguns alunos davam risada e diziam que o "sor é louco"...
Pois o futuro chegou. E não apenas em São Leopoldo. A falta de água é um drama em todo o Rio Grande do Sul, maior em algumas regiões.
Não podemos culpar os deuses ou a Natureza.
O desperdício, a monocultura, o consumo desenfreado..tudo isto somado só pode levar à escassez da água potável no planeta. E embora saibamos disto há muito tempo, o sistema continua nos empurrando a ideia de que só seremos felizes se consumirmos mais e mais. Assim vamos acabando com a vida, a nossa inclusive.
Nós somos parte da Natureza e existimos em um planeta que funciona mais ou menos como uma nave fechada, perdida num Universo que sequer sabemos se tem fim ou não.
Não somos o centro da Terra, muito menos do Universo.
Os animais são tão terráqueos quanto nós.
A crença de que somos mais importantes que tudo é velha e não dá mais bons frutos.
Uma mudança radical de postura poderia diminuir o impacto que causamos. Mas não creio que estejamos interessados nisto. Somos estúpidos demais.
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23 novembro 2012
Crianças perigosas
Raul Seixas falando sobre o que esperava para o ano de 1988. Que registro precioso.
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16 novembro 2012
Uma música que me define
Na última madrugada encontrei esta raridade.
Me dei conta que a procurava há mais de 20 anos! Tocava eventualmente na antiga rádio Ipanema, de Porto Alegre, que foi um dia o ponto de encontro de todos os alternativos do planeta.
Sabia que era do Kronos Quartet, mas não a encontrava nos cds do grupo. Descobri que se trata de um cover de uma banda punk dos anos setenta (Television). Contestação e erudição, uma síntese difícil de ser encontrada...
Você sabe o que é ter uma música viva na memória, intensa, mesmo sem ouví-la há mais de uma década?
Pois se uma música pode definir a gente, aí está a minha.
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15 novembro 2012
O que é a Filosofia?
Milhares de anos depois segue a velha pergunta...
06 novembro 2012
Eleições nos EUA
Me emociona este fervor todo com que muitos jornalistas brasileiros fazem a cobertura das eleições nos Estados Unidos. Muito lindo tudo isto. Via de regra, todos falam a mesma coisa. Se você ler um site qualquer, já leu praticamente tudo que eles dizem ou virão a dizer. Cópia da cópia.
Engraçado este fervor todo com "a maior democracia do mundo".
Hoje pela manhã um jornalista exaltava o fato de que "eles são democratas radicais", porque permitem que qualquer um seja candidato a presidente. Isto é uma falácia, porque a democracia não se resume a nomes que aparecem em uma lista para votar. De que adianta, por exemplo, aparecer um "Elenilton" na cédula de votação se você nunca ouviu falar dele, e nunca saberá quem é ele? E por quê? Porque só tem espaço quem é financiado pelos grandes conglomerados econômicos.
A campanha americana é dominada pelas grandes corporações, que se dividem em apenas dois grandes partidos políticos. As diferenças existem entre eles, mas são mínimas. No frigir dos ovos "tudo vira bosta", como disse a Rita Lee.
É uma democracia de controle, direcionada, como em geral são as democracias pelo mundo. O poder do cidadão comum é quase nulo. Basta surgir um multimilionário como candidato a qualquer coisa, e seu poder é maior do que 50 milhões de pessoas.
O velho poder do capital, a velha fórmula.
Estranho ainda que a cobertura da eleição de outro pais é melhor do que a nossa própria eleição, que se resume a divulgar as tais pesquisas eleitorais.
Há ainda uns chatos conservadores (eu penso aqui no Rio Grande do Sul) que fariam melhor se mudassem para os Estados Unidos. Tudo lá é melhor, mais lindo, perfeito...então por que ainda vivem no Brasil? Talvez porque não queiram se transformar em "chicanos", subempregados num país de alto índice de desemprego.
Engraçado este fervor todo com "a maior democracia do mundo".
Hoje pela manhã um jornalista exaltava o fato de que "eles são democratas radicais", porque permitem que qualquer um seja candidato a presidente. Isto é uma falácia, porque a democracia não se resume a nomes que aparecem em uma lista para votar. De que adianta, por exemplo, aparecer um "Elenilton" na cédula de votação se você nunca ouviu falar dele, e nunca saberá quem é ele? E por quê? Porque só tem espaço quem é financiado pelos grandes conglomerados econômicos.
A campanha americana é dominada pelas grandes corporações, que se dividem em apenas dois grandes partidos políticos. As diferenças existem entre eles, mas são mínimas. No frigir dos ovos "tudo vira bosta", como disse a Rita Lee.
É uma democracia de controle, direcionada, como em geral são as democracias pelo mundo. O poder do cidadão comum é quase nulo. Basta surgir um multimilionário como candidato a qualquer coisa, e seu poder é maior do que 50 milhões de pessoas.
O velho poder do capital, a velha fórmula.
Estranho ainda que a cobertura da eleição de outro pais é melhor do que a nossa própria eleição, que se resume a divulgar as tais pesquisas eleitorais.
Há ainda uns chatos conservadores (eu penso aqui no Rio Grande do Sul) que fariam melhor se mudassem para os Estados Unidos. Tudo lá é melhor, mais lindo, perfeito...então por que ainda vivem no Brasil? Talvez porque não queiram se transformar em "chicanos", subempregados num país de alto índice de desemprego.
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31 outubro 2012
Manchete infeliz
Hoje o jornal Zero Hora estampou uma de suas mais infelizes manchetes:
"Uma tempestade de U$ 35 bilhões".
Diante de uma tragédia, colocar o dinheiro como notícia mais importante é algo no mínimo discutível.
As perdas econômicas jamais são o que há de mais importante quando há vidas em jogo.
No caso do furacão (ou ciclone) que chegou à costa americana, não há porque ser diferente.
Entretanto, em Cuba o mesmo ciclone teria causado 11 mortes. E você precisa ser muito bem informado para saber disto. Simplesmente porque Cuba não está nas manchetes.
Perguntar não ofende: a vida de um americano vale mais que a de um cubano?
"Uma tempestade de U$ 35 bilhões".
Diante de uma tragédia, colocar o dinheiro como notícia mais importante é algo no mínimo discutível.
As perdas econômicas jamais são o que há de mais importante quando há vidas em jogo.
No caso do furacão (ou ciclone) que chegou à costa americana, não há porque ser diferente.
Entretanto, em Cuba o mesmo ciclone teria causado 11 mortes. E você precisa ser muito bem informado para saber disto. Simplesmente porque Cuba não está nas manchetes.
Perguntar não ofende: a vida de um americano vale mais que a de um cubano?
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