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23 março 2011
STF e Ficha Limpa
A lei e a ordem deles.
28 fevereiro 2011
O diabo usa gravata

Esta é a cara do senhor Ricardo Neis. O sujeito que atropelou covardemente dezenas de ciclistas
na cidade de Porto Alegre, no dia 25 de fevereiro de 2011.
Olhe bem para o olhar dele. Os olhos dizem muitas coisas.
Ele jogou o carro em alta velocidade sobre as pessoas e depois fugiu. Abandonou o carro logo em seguida. Três dias depois apareceu pra dar depoimento na polícia.
Ele usa gravata, o que comprova a hipótese de que até mesmo os monstros podem usar gravata.
Este é o tipo de pessoa que deve estar atrás das grades. Uma ameaça à sociedade.
Esperamos que ele não acabe solto, como o empresário Roberto da Silva Corlleto - que atropelou e matou um professor da Ufrgs em 2005. Seu carro estava a mais de 100km/h numa via onde a velocidade máxima é 60 km/h.
Cumpra-se a lei.
Se você ver um destes sujeitos por aí desvie, corra, procure abrigo. Eles são uma ameaça.
(Foto de Paulo Nunes, Correio do Povo)
31 dezembro 2010
Amizade
Abrindo o novo ano com um textinho do meu livro "A Caixa de perguntas e outras histórias de aprendiz" (ainda não publicado)...
O amor do amigo
Em volta do fogo de chão e junto dos velhos homens que bebiam mate e contavam casos, o jovem Atahualpa Yupanqui ouviu da boca de um deles uma das mais belas definições do que seja a amizade. “Um amigo é a gente mesmo com outra pele”, disse um dos velhos. O menino, que seria depois um criador de preciosidades poéticas, carregaria para sempre essa frase consigo. E junto dela a imagem dos velhos trabalhadores em círculo.
O amigo, esse ser que multiplica o espelho da minha alma, como disse Vinícius de Moraes que, décadas depois (e sem fogo algum que o calor do Rio de Janeiro) reunia os amigos. Dizem que sua casa vivia repleta e que sem eles o grande poeta não podia suportar a vida. Vinícius abria suas portas a artistas da palavra e da música, e dessa generosidade e das amizades criadas surgiram muitos dos melhores momentos de nossa cultura. A amizade como poderoso motor de criação.
Nossos amigos às vezes desconhecem o quanto os amamos. Mas sentem de alguma maneira nosso carinho e afeto, porque têm aquela sensibilidade, aquela coisa a mais que diferencia o verdadeiro amigo dos demais.
Há amigos com os quais nunca conversamos, nem um “oi”, mas sentimos uma cumplicidade no olhar que não há ciência que consiga explicar. Fica algo no ar e a certeza escondida de que daqui a um tempo (um mês, dois anos...), uma coincidência qualquer nos coloque uma situação comum. Então paramos e nos conhecemos, em palavras.
Algumas pessoas encontramos apenas de tempos em tempos. E vem então aquela impressão de que não estavam longe, de que a saudade foi apenas um engano. Por vezes acreditamos percebê-las à distância e enviamos mensagens imaginárias, para uma dimensão incerta, na esperança que do outro lado da cidade ou do mundo estejam nos ouvindo.
Quando visitamos um amigo que há muito não vimos, ele logo reclama nosso sumiço. Mas sabe que em todo lugar nos dizem isso e que compreendemos pouco, muito pouco, das distâncias e dos dias que vão e vêm assim tão rápido.
Tem a amiga que sonha poder voar como os pássaros, ouvindo lá do alto o eco das vozes vindas com o vento vagabundo e indiferente. Tem o amigo que, brincando com a água viva encontrou-se com a morte. E aqueles outros, invisíveis, que se foram há séculos mas deixaram seus livros (que ainda iluminam). Lembro bem daquele perturbado amigo, que abaixou-se na chuva e fez uso de uma poça d'água para diluir a química ardente que lhe invadiria as veias.
Entro na casa do velho amigo. Ou do novo amigo velho. Sala perfumada de livros, odor inigualável. Onde habitam os grandes iniciados e seus pensamentos vivos. Alguns amigos, como ele, moram onde a arte caminha como trepadeira pelas paredes. E outras, como a velha amiga, vêem em mim realizados os sonhos que sonharam para si. (...)
Todo dia é dia do amigo. Então, já que hoje é dia dele, não será demais deixá-lo com estas palavras, e terminar com a loucura poética e amiga de Nietzsche: “Existe realmente, aqui e além na terra, uma espécie de prolongamento do amor, no qual o desejo que dois seres experimentam um pelo outro dá lugar a um novo desejo, a uma nova cobiça, a uma sede superior comum, a de um ideal que os ultrapassa a ambos: mas quem é que conhece esse amor? Quem o viveu? O seu verdadeiro nome é amizade.”
Elenilton Neukamp
06 dezembro 2010
Érico
Ele nasceu no dia 24 de novembro.
É sagitariano.
Os pés ligeiros que cavalgam sobre as certezas móveis da Terra.
O corpo esguio de homem com suas lutas para viver e mudar a vida.
E o arco retesado de sonhos,
lançando as flechas afiadas da utopia.
Teu lugar é de lucidez? De líder? Rebelde, tranquilo, resignado?
Tudo isto só a ti cabe.
Escolhe.
A mim cabe a vigília, o cuidado.
Os braços que te carregarão quando dormires
e que apontarão para ti as estrelas.
Eu irei te ajudar a ver o mar,
quando teu olhar emocionado nele mergulhar.
18 novembro 2010
Érico e a lua
e logo você vem
será que também
cheguei numa bela noite
de primavera?
eu e a Míti
saímos a ver
o vento
e a sentir
a lua
nos diz ela
que você vem chegando
e que tua cabeleira
vem ornada de estrelas
teus dons todos
se abrindo
e recebendo o dia
vi o teu ser
e fui ver
o sol
a pele da tua mãe
se morenava
em largos goles
de crepúsculo
te esperamos.