Apesar da situação
dos loucos do trânsito
do governo e da oposição
apesar do rancor
do bronco na reunião
do cateto da hipotenusa
dos juros e da inflação
apesar de tudos
e de nadas
do roubo e do rombo
da Copa, das cópulas
e da mentira da eleição
apesar do pesar
de quem insistia
a árvore derrubar
duas bergamotas nasceram
de algum lugar surgiu
um vagalume
os tomateiros, a rúcula, os hortelãs
e todas as listras negras
e brancas de um gambá
as cachorras latiram
os homens gritaram
os sapos-boi fizeram samba
e uma goteira insistente
perdida em algum lugar
lembra de tudo sempre assim
inacabado
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29 novembro 2014
19 novembro 2014
Relatos selvagens
O cinema argentino é tudo isto mesmo que dizem? É. E muito mais ainda.
Há muito tempo que eu não assistia um filme tão empolgante quanto "Relatos Selvagens", do argentino Damián Szifron.
A história é dividida em vários episódios, que não se conectam entre si senão por tratar do humano, demasiadamente humano. Os relatos são mesmo selvagens porque tratam de pessoas "comuns" colocados em situações de extrema emoção, no limiar da loucura.
Qual é a fronteira entre o pacato cidadão e o lunático? Qual o limite entre o bom senso e a perda total da lucidez? O enredo leva estas questões ao extremo e às vezes ao absurdo.
Está claro que não irei contar o filme, para não estragar a surpresa. Mas posso dizer que a cena inicial é perfeita, assim como o último episódio.
Minha mulher saiu da sala de cinema chorando, e não sabia se chorava de tristeza ou de alegria. Veja bem então que o filme mexe com as emoções. Em alguns momentos pensei se havia feito uma boa escolha em ir assisti-lo.
Eu, que não gosto de hiperrealismo em cinema (ou sei lá que nome se dê para isto), abriria mão de algumas cenas mais cruentas. Mas o filme não é meu, então deixo de ser chato. As histórias nos pegam, nos convencem, por seu humor mórbido ou pela escancaração do que há de mais hipócrita nas relações humanas.
A cena inicial se passa num avião, onde um homem de meia idade resolve iniciar um papo com uma mulher bonita que senta no corredor ao lado. Logo perceberão que têm um conhecido em comum, que ele simplesmente escracha. Uma senhora sentada na poltrona de trás escuta a conversa, e entra nela porque afirma também conhecer aquele a quem eles se referem. De repente, a surpresa: todos passageiros do avião conhecem aquela pessoa. E o que vai acontecer? Ah...só vendo.
O último episódio é um casamento super ultra mega alegre. Uma crítica mordaz à sociedade do espetáculo, ao nosso tempo, às convenções cheias de brilho e barulho mas vazias de laços efetivos. O casamento-show é todo programado para ser um sucesso. Entretanto, a noiva descobre durante a festa que está sendo traída. Se você pensa que já assistiu muitos filmes sobre mulheres traídas, então não viu muito. Sempre há muito mais a ser dito, sobretudo em se tratando do criativo cinema argentino.
Uma aula de atuação também. Todos convencem. A noiva é impagável, assim como a maquiagem perfeita.
Estaríamos todos/as nós a um passo de perder totalmente o controle? Não conseguimos agir com serenidade diante de situações que nos provocam? O que você acha?
Vá assistir o filme e depois me diga.
Há muito tempo que eu não assistia um filme tão empolgante quanto "Relatos Selvagens", do argentino Damián Szifron.
A história é dividida em vários episódios, que não se conectam entre si senão por tratar do humano, demasiadamente humano. Os relatos são mesmo selvagens porque tratam de pessoas "comuns" colocados em situações de extrema emoção, no limiar da loucura.
Qual é a fronteira entre o pacato cidadão e o lunático? Qual o limite entre o bom senso e a perda total da lucidez? O enredo leva estas questões ao extremo e às vezes ao absurdo.
Está claro que não irei contar o filme, para não estragar a surpresa. Mas posso dizer que a cena inicial é perfeita, assim como o último episódio.
Minha mulher saiu da sala de cinema chorando, e não sabia se chorava de tristeza ou de alegria. Veja bem então que o filme mexe com as emoções. Em alguns momentos pensei se havia feito uma boa escolha em ir assisti-lo.
Eu, que não gosto de hiperrealismo em cinema (ou sei lá que nome se dê para isto), abriria mão de algumas cenas mais cruentas. Mas o filme não é meu, então deixo de ser chato. As histórias nos pegam, nos convencem, por seu humor mórbido ou pela escancaração do que há de mais hipócrita nas relações humanas.
A cena inicial se passa num avião, onde um homem de meia idade resolve iniciar um papo com uma mulher bonita que senta no corredor ao lado. Logo perceberão que têm um conhecido em comum, que ele simplesmente escracha. Uma senhora sentada na poltrona de trás escuta a conversa, e entra nela porque afirma também conhecer aquele a quem eles se referem. De repente, a surpresa: todos passageiros do avião conhecem aquela pessoa. E o que vai acontecer? Ah...só vendo.
O último episódio é um casamento super ultra mega alegre. Uma crítica mordaz à sociedade do espetáculo, ao nosso tempo, às convenções cheias de brilho e barulho mas vazias de laços efetivos. O casamento-show é todo programado para ser um sucesso. Entretanto, a noiva descobre durante a festa que está sendo traída. Se você pensa que já assistiu muitos filmes sobre mulheres traídas, então não viu muito. Sempre há muito mais a ser dito, sobretudo em se tratando do criativo cinema argentino.
Uma aula de atuação também. Todos convencem. A noiva é impagável, assim como a maquiagem perfeita.
Estaríamos todos/as nós a um passo de perder totalmente o controle? Não conseguimos agir com serenidade diante de situações que nos provocam? O que você acha?
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09 novembro 2014
A maçã, aqui em casa
Eu e o querido amigo Karrath, relembrando uma das tantas belas canções de Raul Seixas...
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