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01 dezembro 2013

Olhos negros

Há 50 anos nascia meu irmão mais velho, Deoclécio.
Era também um domingo. O sexo do bebê só era conhecido no momento do nascimento.
Não havia exames, nem vídeos disto e daquilo. Tampouco existia por lá o SUS. Quem não tivesse como pagar um médico (raro) não era atendido. Quem fazia o trabalho eram as parteiras, mulheres especiais e fortes que se faziam respeitar.
Diz a minha mãe que meu avô estava em outra cidade. Voltou rápido, à cavalo, quando chegou a notícia do nascimento do neto.
Quando entrou no quarto e viu a criança não conseguiu conter um grito de alegria: "É um gurizinho, e tem o olho bem preto!". Tudo isto ele falou em alemão, pois lá quase nada se sabia em português.
Numa região onde o lugar comum eram os olhos azuis, uma criança de olhos negros era sempre festejada.
Creio que também por isto estranho tanto o encanto das pessoas com a cor dos olhos do meu filho. 
E sigo nesta loucura de navegar em qualquer cor e procurar nos olhos apenas o olhar. 






(Na foto, é ele o fotógrafo improvisado que tenta registrar a fila da sessão de autógrafos.)

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