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11 dezembro 2013

Dois Albertos


Meu pai me apresentou os pássaros.
Meu tio me ensinou a ler os seus vôos.
Alberto é um nome que faz parte da minha carne.
Sete letrinhas.
O dionisíaco de um com seu violão, a cachaça e as canções
inventadas para fazer sorrir.
O apolíneo do outro, iluminando com a lanterna pinheiros misteriosos e saciando minha curiosidade com suas palavras e livros.
Um é loucura, delírio, desejo escorpiano de vida e paixão.
Outro é sensatez, tranquilidade, celibato e meditação sobre a técnica.
Entre um e outro, eu.
Em minha sensatez toda insensata desaprendi a tocar o violão.
Em minha insensatez quase sensata ainda nem escrevi o livro, não inscrevi parte de mim nas veias da terra.
Místico sem fé.
Vagando entre momentos solitários e lençóis coloridos.
Comigo a língua portuguesa quer ir pro brejo.
Os dois Albertos. Alentos.
Entre um e outro

Eu.




(Uma singela homenagem ao meu tio Alberto A. Flach, Irmão Albano, que faleceu ontem)





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