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18 agosto 2011

Receita de paciência

Uma papinha reforçada pro bebê (acabo de fazer):

Inhame
Aipo
Alho-poró/alho comum (pouco)
Moranga cabutia
Salsa graúda (muito)
Cebolinha (pouquinho)
Cenoura (pouquinha)

Tudo orgânico.

Uma boa panela e fogo brando.

Preparo:
Juntar tudo e ir mexendo, com colher de pau.

Enquanto eu cozinho e o fogo arde, vou tentando digerir, ruminar, aplacar a dor.
Só nunca dói existir pra quem desistiu.
Na alquimia das panelas tentando encontrar a "ardente paciência" que anunciou um dia o poeta Rimbaud, diante das cidades fabulosas que ele teve a sorte de não conhecer.
E na alegria de fazer a comida do meu filho vou inventando sentidos pra insistir no meio desta indiferença e neste tempo tosco que me coube viver.


Outro dia sonhei um sonho alucinante, cinematográfico. Paisagens, viagens, gentes e cliques fotográficos. Acordei fascinado e contente, disposto a sair contando para todos minha experiência. Não consegui.
O sol levantou e ardeu todo o dia, mas todos estavam dormindo.


Na outra manhã uma imagem triste. Um menino com ar decepcionado apontava o dedo para um grupo de adultos que falavam alto e sentavam em círculo.
"Vocês são um bando de cagões", foi o que ele disse. E antes que eu pudesse tentar alguma explicação virou-se e foi embora.

Quieto dentro do ônibus silencioso encontrei-o. Ele logo entendeu que eu não o havia traído. Quando desci chovia.
Eu e o menino chegamos molhados.
Mas não foi por covardia nem por indiferença que andamos os dois cabisbaixos até em casa.
Se baixamos a cabeça foi por causa da chuva. Aquela chuva da manhã triste que insistiu em nos fazer companhia.

2 comentários:

  1. pesado, meu caro. é de se pensar.

    abraços

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  2. Sim Marco!
    Pesado como o silêncio comprometedor e resignado.
    abração!

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