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23 março 2011

STF e Ficha Limpa

O Supremo Tribunal Federal, ao julgar contra a aplicação imediata da lei da Ficha Limpa, cumpre muito bem seu papel de manter a Lei e a Ordem.
A lei e a ordem deles.

17 março 2011

O blog milionário de Maria Bethânia

Ao contrário do que o Jorge Furtado está dizendo, o dinheiro que a Maria Bethânia está buscando (1 milhão e 300 mil!!) é dinheiro público sim. Indireto, mas público.
As empresas patrocinam o blog dela, e depois esse dinheiro é integralmente descontado do imposto de renda delas. Ou seja, renúncia fiscal por parte do Estado.

Ela quer mais de um milhão de reais para criar um blog. Um blog que terá um vídeo diário dela declamando uma poesia. Que maravilha. Para isso, ela irá receber 5o mil reais mensais! Sim, 50 mil reais por mês durante um ano inteiro para declamar poesias. Isto apenas para ela.
Se este dinheiro viesse de patrocinadores que não irão descontar no imposto de renda depois, ótimo. Eu seria certamente um dos apreciadores do blog da Bethânia. Mas com dinheiro público não. Aí vira sacanagem, privilégio.

Pessoas como eu, que lecionam em escolas públicas, sabem muito bem o quanto faltam investimentos em cultura nas periferias do Brasil. Nem estou falando em salário de professor, nem em material pras escolas. Falo em espaços culturais nos bairros pobres. Cinemas. Teatros. Centros de Cultura. E mais: apoio aos artistas de circo, aos teatros mambembe que ainda insistem em viajar pelos interiores do Brasil. Aqui no sul temos o lendário Teatro do Teleco. Eles tem apoio estatal? Patrocínio? Que nada! A lona é toda furada, as cadeiras em cacos.
Enquanto isso, a quase septagenária (e rica) cantora recebe milhões. É correto? Para quê? Estão faltando tapetes em sua mansão à beira mar?

Pergunto: é justo?

Um blog você cria gratuitamente em menos de 10 minutos.
Você ama (como eu) poesia e quer divulgá-la na Internet? Ora, até uma filmagem com câmera digital fica com uma boa resolução em um blog. Basta ter uma camerazinha mais ou menos.
Não precisa de cineasta da Globo Filmes nem de orçamento milionário.

Sendo menos formal e mais direto: o que estamos observando é a velha jogada dos privilegiados do Brasil, mamar nas tetas do Estado.
E não interessa se ela é uma grande intérprete ou não. Malandragem é malandragem em qualquer esfera.
Ser um bom artista não melhora necessariamente o caráter de ninguém. Aliás, acusações contra Bethânia e os "doces bárbaros" vêm de longe. O jornalista André Forastieri afirma existir o que ele chama de "Máfia do Dendê", capitaneada por ela, Gil e Caetano, que controlaria boa parte do que é produzido e veiculado no Brasil.

Em outros tempos, o também baiano Raul Seixas acusava este mesmo grupo de controlar os locais de apresentação em Salvador, num suposto esquema. Ao falar de Gilberto Gil, por exemplo, Raul era taxativo. Quando o ex-ministro da Cultura resolveu entrar na vida pública, Raul não perdoou: "O Gil sempre foi um prostituto".

É claro que não estamos falando - eu e todas as outras pessoas que se indignaram diante deste caso - da competência artística de Maria Bethânia. Sua obra é recheada de pérolas da MPB, ela e os outros acima citados são mestres da música brasileira. Por isso, a reação de alguns fãs da cantora soa como algo infantil. Afirmam eles que as críticas vêm de pessoas ressentidas e invejosas. Isto é uma tolice, e nem serve como argumento. Chegamos a um ponto tal de alienação, que o fato da pessoa ser famosa e "aparecer" lhe torna imune à críticas, pelo menos aos olhos de muitos.

Com um milhão e trezentos mil reais poderíamos lançar centenas de poetas, publicar milhares ou milhões de livros. Isto sim seria incentivar a poesia!
Quanta gente boa com seus livrinhos guardados na gaveta, sem um puto tostão para publicar...

Mas estão lá em volta dos organismos públicos os velhos privilegiados de sempre, a mesma casta que se supõe dona da cultura do país. Os verdadeiros malandros, no pior sentido que possa ser dado a esta expressão.

A Bethânia é agora o alvo, porque ficou na berlinda. Mas todos sabemos que não é só ela.
Também receberam incentivos milionários outros tantos que não precisariam.
Na administração do baiano Gil no Ministério da Cultura, Ivete Sangalo recebeu mais de um milhão para gravar um DVD. Assim como Cláudia Leite e a própria Bethânia. Coincidência?

Atualmente, Marisa Monte irá receber em incentivos quase 5 milhões de reais para fazer 4 shows acompanhada de uma orquestra. Os shows depois serão transformados em um DVD.
Pergunto: ela precisa?
E novamente: é justo?

O Brasil precisa pensar sobre tudo isso.
E abandonar a ideia de que incentivar a cultura é dar dinheiro a quem já tem muito, concentrando cada vez mais os recursos e os esforços sobre alguns poucos privilegiados.